Política

Projeto de Lei prevê reserva de vagas para negros em concursos de Maricá

Foi votado e aprovado em primeiro turno o Projeto de Lei nº 150/2018, que dispõe sobre a reserva de vagas para negros em concursos públicos para provimento de cargos efetivos e empregos públicos integrantes dos quadros permanentes de pessoal do Poder Executivo da cidade de Maricá. A votação gerou bastante discussão entre os parlamentares. Por maioria de votos, o projeto foi aprovado. Somente o vereador Filippe Poubel votou contra.

A maioria dos vereadores salientou a necessidade de aprovar o PL. Eles entendem que os negros foram escravizados e torturados por anos no Brasil e que o país tem uma dívida histórica com a população negra.

O presidente da Câmara, Aldair de Linda (PT), foi um dos parlamentares que votou a favor do projeto. “Os negros têm pouca oportunidade financeira, têm pouca oportunidade pra estudar porque precisam trabalhar desde cedo. Temos que dar condição diferenciada para os negros. Hoje na Câmara temos três negros entre 17 vereadores”.

O vereador Ismael Breve (DEM) acredita que todos os brasileiros menos favorecidos devem entrar no sistema. “Sou a favor porque acho um projeto legal. Se fosse para os menos favorecidos de qualquer cor eu votaria favorável. Para mim, independente de cor e se estuda em universidade particular ou pública, eu voto favorável porque todos têm que ter oportunidade”.

O vereador Ricardinho Netuno (Patriotas) acredita que é preciso investir em melhorias para os negros, mas que cotas precisam ser um período determinado de duração. “Entendo a necessidade das cotas raciais porque os negros foram escravizados, mas com um prazo para que eles entrem no contexto social de igualdade. Mais importante que cota racial é a cota social. Temos brancos também que não tiveram oportunidade. A cota social é mais ampla”.

O vereador Dr. Richard (PT) explicou que é preciso expandir as cotas também aos índios e portadores de deficiência. “Precisamos de cotas para índios e deficientes. A cota social não abrange todas as classes e minorias”.

Rony Peterson (PR) declarou ser a favor da cota, pois entende que é preciso criar igualdade entre as pessoas. “Sou a favor da cota. Vivemos hoje uma grande demagogia. Temos uma dívida histórica e isso é um fato concreto. Hoje numa universidade de Medicina e quero ver se você acha um negro lá. Será que isso é igualdade num país onde maioria é negra? Como falar em igualdade se não se dá igualdade?! Que igualdade é essa? A prática não é essa. A prática é discriminatória. O negro não tem oportunidade no país”.

Marcos Bambam (PV) acredita que é de extrema importância diminuir as desigualdades. “Vivemos nem um país muito hipócrita. Por cultura ou não quando vemos um negro ocupando uma alta posição isso nos causa impacto. Essa é a realidade. Se impedirmos que os negros possam participar das decisões políticas, do no habitat, estaremos excluindo os negros. Tem que ser natural todas as vitórias dos negros”.

Para Filippe Poubel (PSL) o sistema de cotas gera segregação entre os brasileiros. “Discordo da fala deles porque se formos discutir isso teremos que dar cota para nordestinos e índios porque todos eles sofreram. Nosso país está muito dividido. Não concordo com divisão. Brancos e negros, heterossexuais e homossexuais. Não podemos segregar mais. Nosso país está muito desunido”.

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